Ara Ketu é acusado de não pagar trabalhadores do Carnaval 2012.

21:37


Para muitos baianos, o ano só começa depois que o carnaval termina. No entanto, quase seis meses após a maior festa de rua do mundo, a direção da bloco Ara Ketu parece não ter se dado conta de que o tempo passa. Uma das bandas mais tradicionais e com uma marca forte como o Ara Ketu é acusada de estar devendo a todos os profissionais envolvidos na folia de momo, do apoio à direção do bloco. Organizados, os pais e mães de família estão tentando reaver o que lhes pertence, por direito, através de conversa, e-mails enviados, contato telefônico e, agora, por meio da imprensa. As famílias criaram um e-mail de login: semreceberaraketu@hotmail.com, além de uma página no Facebook, com o perfil "Semreceber Araketu" para denunciar a falta de pagamento.

O Bahia Notícias entrou em contato com Jaade Figueredo, porta-voz dos trabalhadores, para conversar sobre o suposto calote. Jaade informou que tem muita gente sem receber até hoje e que "Cristiano, filho de Dona Vera [a empresária do Ara Ketu, Vera Lúcia Lacerda da Silva] só diz para a gente resolver com o advogado, mas nada é feito", conta ela, que está desolada. "O pessoal trabalhou nos ensaios, durante o bloco e eles não nos dão uma posição. Nesses meses todos a gente liga, manda e-mail, estamos tentando resolver amigavelmente", relatou Jaade, que não nega sua mágoa com Dona Vera. "Eu recebi um e-mail dela dizendo que a pior coisa do mundo é dever a gente pior do que ela. Ou seja: ela nos humilhou. Uma pessoa que diz que trabalha com ONG, essas coisas? Como pode?", alarmou-se. Questionada sobre o valor aproximado da dívida do Ara Ketu com os profissionais, Jaade não titubeia: "Ah, é altíssimo! Porque eles devem a todo mundo. Ao pessoal que trabalhou no apoio, produção e até na direção do bloco! Eles devem à empresa contratada do bar; ao pessoal do LED do trio", enumera. Segundo ela, Cristiano, filho de Dona Vera chegou a dizer que venderia uma casa da família em Camaçari para pagar as dívidas e jogou a responsabilidade para os patrocinadores que, segundo ele, ainda não pagaram nada ao bloco. "Eles estão agindo de má-fé. Eles dizem que a Petrobras ainda não pagou a eles, que os patrocinadores não pagaram, que estão cheios de dívidas. Mas nós somos pessoas de renda baixa", reclamou. 

Jaade contou como aconteceu a contratação. "Eles se aproveitaram de pessoas que gostam deles e usaram essas pessoas para contratarem terceirizados. Agora, essas pessoas estão sofrendo. O chefe de segurança mesmo, está recebendo ameaça dos seguranças porque até hoje não teve como pagar, porque ainda não recebeu um centavo", acusou, acrescentando que, com a volta de Tatau e a entrada da [produtora] Carreira Solo na marca, buscou a ajuda do [empresário] Paulo Borges, que teria conversado com o filho de Dona Vera. "Paulo Borges disse a Cristiano que eles tinham que pagar a gente, porque a Carreira Solo não trabalhava dessa forma e Cristiano enganou ele dizendo que já tinha pago e, na verdade, a gente não recebeu um centavo", concluiu a porta-voz.

Em contato com a atual assessoria de imprensa do grupo, eles informaram que não sabem como anda essa questão jurídica do pagamento, mas que iam ver com Dona Vera para dar um retorno ao Bahia Notícias. "Mas eu posso lhe garantir que, com a entrada de Tatau, eles regularizaram muita coisa", adiantou o assessor Fábio Salmeron.

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