Cantor baiano Netinho diz que realização do PE Folia é uma conquista para o povão

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"Participei de todas as edições do Recifolia", relembra o cantor Netinho, sem esconder a saudade do polêmico evento que impulsionou a dominação da Axé Music sobre Pernambuco na década de 1990. Nos próximos dias 15 e 16 de outubro, ele terá razões para comemorar: O PE Folia, na orla de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, traz de volta o espírito daquela época, com desfiles de trios elétricos na Avenida Beira-Mar. O artista baiano se apresenta no domingo (dia 16), quando reencontrará o público que sempre o recebeu de braços abertos desde a época da Banda Beijo.
Entrevista // Netinho


Qual o diferencial do PE Folia em relação a outras micaretas?


O PE Folia tá nascendo na rua. Isso é uma conquista. Todos os eventos desse gênero foram para o caminho do Indoor, com uma ou duas exceções. Na rua, a ligação com o povão fica mais forte. O circuito Indoor tem um lado positivo por causa da segurança e do conforto, mas não tem o brilho da rua.


Essa transformação foi uma imposição da justiça ou foi uma mudança natural dos novos tempos?


É totalmente relacionado com a legislação. Em todos os lugares, foi o ministério público que empurrou pro Indoor.
Que tipo de avanço ou amadurecimento pode ser constatado nesse tipod e carnaval com trios elétricos?
Em Salvador, há grandes mudanças em curso. Há uma evolução natural com o advento dos camarotes, que estão cada vez mais atrativos, com estrutura para shows e para interagir com os trios elétricos.


Você conhece o atual formato do carnaval do Recife?


Participei do Olinda Beer na semana pré-carnavalesca, mas nunca fui a Pernambuco durante o carnaval em si. Eu sempre assisto pela televisão. A transmissão da TV revela que os pernambucanos sabem valorizar a cultura popular e o folclore. Isso não existe na Bahia.
Você acha que esse fortalecimento da cultura pernambucana foi uma espécie de reação contra a invasão do axé?
Em Olinda, houve uma época em que chegaram a proibir o som alto, por causa do volume, e o que tocava era o axé. Eu amo a cultura pernambucana. Já tive a oportunidade de tocar com a orquestra do maestro Duda e foi fantástico. No PE Folia, quero cantar coisas daqui.


Como será seu show no PE Folia?


Vou cantar durante quase 4 horas. Vamos tocar sucessos de toda a minha carreira, músicas de vários artistas de todas as fases do axé e também coisas de outros ritmos, como Tim Maia, Cazuza e Alceu Valença.


O que você acha da internacionalização do axé feita por Ivete Sangalo e Claudia Leitte?


Isso é de cada artista. Não é um movimento coletivo organizado. Depende de cada um. Elas fazem da maneira delas. Faço shows na Europa desde 1998. Em 2011, cantei no Brazilian Day em Nova York e participei da lavagem da rua 46.



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